NATAL - O ESPERADO
Igino Giordani: “O esperado”
17
Dezembro 2014
Preparamo-nos
para o Natal com este texto de Giordani que sublinha que aquele primeiro
anúncio evangélico - Glória a Deus no alto do céus; paz aos homens na terra -
traz muitas consequências.
A maravilha da Redenção inicia-se
com o nascimento do Redentor: o rei da criação que não encontra um
quarto para vir ao mundo, assim como depois não encontrará uma pedra para
pousar a cabeça.
Foi o verdadeiro homem. E a sua apresentação à
humanidade, pela qual veio ao mundo, acontece sob as formas de uma criança, que
repousa numa manjedoura.
Também os romanos esperavam o Salvador do mundo na
aparência de um menino, que iniciaria um novo ciclo dos séculos. E também os
gregos, e também os persas.
Os judeus esperavam-no na luz das profecias,
fixando na Sua vinda as esperanças messiânicas de um renascimento do passado
com uma mudança da realidade.
E a mudança configurou-se naquele nascimento
proletário, que punha o Filho de Deus na mesma categoria das vítimas das
guerras e das aluviões, entre os sem teto e os sem dinheiro, no extrato
inferior da miséria universal, assim como morreria no patíbulo da maior
infâmia.
Uma apresentação surpreendente do divino: nuvens de
anjos no céu e pequenos grupos de pastores na terra. Mas o mais surpreendente
foi o canto entoado dentro da negra noite, iluminada pelo fulgor dos Anjos,
naquele nascimento singular: – Glória a Deus no alto dos céus; paz aos
homens na terra.
Aquele que é a glória para Deus – soava a
mensagem – é a paz para os homens. A paz de Deus é a sua glória. A
glória dos homens é a sua paz.
O nexo é vital, e por si só ele investe o
relacionamento de valores divinos e humanos inclusive na Encarnação, onde a
natureza divina e a natureza humana unem-se numa única pessoa, feita por isso
elo de ligação e meio do infinito no finito, do eterno no transitório, da
glória na paz.
Tal nexo faz com que não se possa separar a
glória de Deus da paz dos homens. Se uma existe também existe a outra; se
aquela não existe, esta também falta.
Mas como é grande e cheio de consequências este
primeiro anúncio evangélico, que preanuncia o efeito individual e social do
amor, lei constitutiva da nova ordem, assumida por aquele Menino proletário! O
efeito é a paz. E se a paz existe, quer dizer que age, no espírito de cada um e
nos relacionamentos com todos, aquele lume divino que é a caridade; quer dizer
que os homens se sentem irmãos porque sentem a presença do único Pai.
A maior glória que os homens podem render a Deus no
mais alto dos céus é assegurar, com a boa vontade, a paz dos seres racionais no
mais raso dos planetas, esta pastagem onde somos tão maus, uns para com os
outros.
Pela paz a nossa vida na terra se diviniza. Se ao invés de perder tempo a
odiar, ganha-se vida em amar, obtém-se acolhendo Deus em si, porque deste modo
habita na sua essência, – a sua atmosfera: – o amor. Deus – ensinam os místicos
– não habita senão na paz.
É assim que, pela presença de Cristo, um estábulo
torna-se um Paraíso; e até mesmo uma cabana pode-se tornar uma igreja. E o
mesmo pode acontecer com cada casa; e também com cada escritório; e até mesmo
com um Parlamento.
(Igino
Giordani, Parole di vita, SEI, Torino, 1954, pp. 21-23)
