terça-feira, 28 de julho de 2020
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
NATAL - O ESPERADO
Igino Giordani: “O esperado”
17
Dezembro 2014
Preparamo-nos
para o Natal com este texto de Giordani que sublinha que aquele primeiro
anúncio evangélico - Glória a Deus no alto do céus; paz aos homens na terra -
traz muitas consequências.
Foi o verdadeiro homem. E a sua apresentação à
humanidade, pela qual veio ao mundo, acontece sob as formas de uma criança, que
repousa numa manjedoura.
Também os romanos esperavam o Salvador do mundo na
aparência de um menino, que iniciaria um novo ciclo dos séculos. E também os
gregos, e também os persas.
Os judeus esperavam-no na luz das profecias,
fixando na Sua vinda as esperanças messiânicas de um renascimento do passado
com uma mudança da realidade.
E a mudança configurou-se naquele nascimento
proletário, que punha o Filho de Deus na mesma categoria das vítimas das
guerras e das aluviões, entre os sem teto e os sem dinheiro, no extrato
inferior da miséria universal, assim como morreria no patíbulo da maior
infâmia.
Uma apresentação surpreendente do divino: nuvens de
anjos no céu e pequenos grupos de pastores na terra. Mas o mais surpreendente
foi o canto entoado dentro da negra noite, iluminada pelo fulgor dos Anjos,
naquele nascimento singular: – Glória a Deus no alto dos céus; paz aos
homens na terra.
Aquele que é a glória para Deus – soava a
mensagem – é a paz para os homens. A paz de Deus é a sua glória. A
glória dos homens é a sua paz.
O nexo é vital, e por si só ele investe o
relacionamento de valores divinos e humanos inclusive na Encarnação, onde a
natureza divina e a natureza humana unem-se numa única pessoa, feita por isso
elo de ligação e meio do infinito no finito, do eterno no transitório, da
glória na paz.
Tal nexo faz com que não se possa separar a
glória de Deus da paz dos homens. Se uma existe também existe a outra; se
aquela não existe, esta também falta.
Mas como é grande e cheio de consequências este
primeiro anúncio evangélico, que preanuncia o efeito individual e social do
amor, lei constitutiva da nova ordem, assumida por aquele Menino proletário! O
efeito é a paz. E se a paz existe, quer dizer que age, no espírito de cada um e
nos relacionamentos com todos, aquele lume divino que é a caridade; quer dizer
que os homens se sentem irmãos porque sentem a presença do único Pai.
A maior glória que os homens podem render a Deus no
mais alto dos céus é assegurar, com a boa vontade, a paz dos seres racionais no
mais raso dos planetas, esta pastagem onde somos tão maus, uns para com os
outros.
Pela paz a nossa vida na terra se diviniza. Se ao invés de perder tempo a
odiar, ganha-se vida em amar, obtém-se acolhendo Deus em si, porque deste modo
habita na sua essência, – a sua atmosfera: – o amor. Deus – ensinam os místicos
– não habita senão na paz.
É assim que, pela presença de Cristo, um estábulo
torna-se um Paraíso; e até mesmo uma cabana pode-se tornar uma igreja. E o
mesmo pode acontecer com cada casa; e também com cada escritório; e até mesmo
com um Parlamento.
(Igino
Giordani, Parole di vita, SEI, Torino, 1954, pp. 21-23)
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Tendências
Tendências contemporâneas: momento histórico
O período de normalidade democrática após a deposição de Getúlio Vargas (1945) durou menos de 20 anos. À euforia desenvolvimentista do governo Kubitschek (1956-1961) sucederam-se crises políticas que levaram a um golpe militar (1964). O novo período ditatorial, mais longo que o do Estado Novo, duraria vinte anos, encerrando-se apenas em 1985, com a eleição de Tancredo Neves.
Os conflitos político-ideológicos de todo esse período refletiram-se intensamente na produção artística e literária. As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas pela supressão dos direitos civis através de Atos Institucionais, pela cassação de direitos políticos, pela censura aos meios de comunicação e às manifestações artísticas, pela repressão policia, pelo exílio dos opositores ao regime e pela prática da tortura. Paralelamente, o regime militar deu continuidade à abertura da economia ao capital estrangeiro e promoveu o “ milagre econômico” (governo Médici) visando a tornar o Brasil uma potência emergente.
Após a grande campanha pelas eleições diretas, o primeiro presidente civil, Tancredo Neves, foi ainda eleito indiretamente e morreu antes de tomar posse. O cargo foi assumido pelo vice presidente José Sarney (1958-1990): durante seu governo foi elaborada a atual Constituição, que ampliou os direitos individuais e a liberdade civil. Em 1990, a primeira eleição direta criou grandes esperanças de renovação, frustradas pelos escândalos, corrupção e incompetência, que levaram ao afastamento do presidente, Fernando Collor de Mello (1992).
As últimas décadas (governos Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva) têm sido marcadas pela busca da estabilidade econômica e pelas reformas institucionais. Consolidada a democracia, os grandes problemas sociais – distribuição de renda, educação, saúde, moradia, reforma agrária, preservação do ambiente...- continuam na pauta de todas as discussões e no centro dos anseios coletivos.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Protecionismo no Brasil
"A China é um dos principais alvos da política "proativa" de defesa comercial preparada pelo governo para defender a produção nacional contra a competição dos importados, adiantou o ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, em entrevista exclusiva ao Valor. "Há uma preocupação enorme (com a China), a presidente Dilma Rousseff conhece bem o problema", comentou o ministro. Ele informou ter conversado "em linhas gerais" com a presidente sobre seus planos de defesa da produção nacional.
"Ela concorda que é preciso uma política mais proativa na questão, porque mudou o cenário", relatou Pimentel. O ministro poderá ser escalado para chefiar uma das missões prévias que o governo brasileiro pretende fazer antes da visita de Dilma Rousseff à China, em abril. A presidente quer fazer uma visita de Estado, antes do encontro, em Xangai, com os governantes do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), com uma grande missão empresarial. Pimentel defende negociar com chineses "contrapartidas" para manter a abertura do mercado brasileiro.
"Não precisamos barrar (as importações chinesas), mas podemos colocar regras, contrapartidas", argumentou. Mostrando, na mesa de centro do gabinete, um catálogo com mais de 600 páginas entregue a ele pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), ele compara preços de venda de variados bens de capital, de acordo com o país de produção, e classifica de "problema grave" os baixos preços chineses, bem inferiores à média mundial. "Moldes para borracha ou plástico, valor médio, US$ 33,56 o quilo; na China, US$ 13", lê. "Máquinas e aparelhos de prensagem de metais, valor médio: US$ 85; valor na China: US$ 9", prossegue.
"Vou exagerar nas tintas, mas não é muito exagerado não: o mundo nunca enfrentou uma situação como essa", comentou, para explicar porque está "estupefato" com o cenário que encontrou, após 15 anos de carreira política, ao voltar para os assuntos econômicos, dos quais foi professor na Universidade Federal de Minas Gerais. Para Pimentel, o mundo reage com "timidez" ao novo fenômeno da emergência de uma China capaz de produzir uma variedade inédita de bens a preços mais baixos que os de outros países.
A presidente Dilma Rousseff "compartilha, em alguma medida" da visão de que há um novo "paradigma" no comércio internacional que exige novas regras internacionais, diz Pimentel, ministro escolhido na cota da própria Dilma, de quem é amigo desde os anos 70, quando participaram da luta armada contra o regime militar. A situação mundial em relação à superioridade chinesa é comparável a um transatlântico que aderna sem que os tripulantes percebam o perigo, afirma o ministro. "Quem está de fora, diz: o navio está afundando, ninguém percebe?"
Pimentel se compara a esse observador que vê um Titanic adernando para a catástrofe. "Você consegue imaginar a economia mundial organizada em torno de um país que produz mais barato que todos os outros conseguem produzir?", pergunta ele. "Eu não consigo." Lembrado que o modelo não é exclusivo da China, mas se estende por outros países asiáticos, Pimentel comentou que o modelo asiático se sustenta ainda nos baixos salários e condições de trabalho severas, não reproduzíveis "no resto do mundo". Ele defende que o Brasil se empenhe na mudança das regras internacionais de comércio, para adaptar o comércio global a essa realidade, permitindo um grau maior de proteção à produção nacional.
"Mas o ministério não muda as regras internacionais, vamos jogar segundo as regras e já estamos jogando", assegurou. Ele reconhece que há limites para a ação do governo, e que as empresas terão de fazer um esforço de aumento na própria competitividade. "Milagre não tem."
O governo quer "equalizar as condições de competição" entre os empresários que produzem no país e os fornecedores de produtos importados pelo Brasil, disse o ministro. Além da política "proativa" de defesa comercial, com ações contra produtos de peso no comércio exterior do país que possam ser acusados de competição desleal, o governo discute o conjunto de medidas para reduzir o custo Brasil, que, segundo Pimentel, terá, principalmente, redução de impostos sobre a produção e iniciativas para reduzir o custo burocrático para as empresas.
"Quero ver se, até março, estamos com tudo sendo e votado, encaminhado no Congresso", adiantou, ressalvando que esa é apenas uma expectativa dele. "A presidente não tem prazo. Ela não fará nada enquanto não tiver certeza econômica, jurídica, convicção e unidade dentro do governo para fazer."
Ele comentou que suas propostas não embutem nenhuma crítica à gestão anterior. O que houve foi uma "mudança de paradigma", de situação internacional, argumentou. "A situação não estava tão dramática quanto hoje, não tínhamos um período de taxa de câmbio tão ruim do ponto de vista das exportações."
"A China é um dos principais alvos da política "proativa" de defesa comercial preparada pelo governo para defender a produção nacional contra a competição dos importados, adiantou o ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, em entrevista exclusiva ao Valor. "Há uma preocupação enorme (com a China), a presidente Dilma Rousseff conhece bem o problema", comentou o ministro. Ele informou ter conversado "em linhas gerais" com a presidente sobre seus planos de defesa da produção nacional.
"Ela concorda que é preciso uma política mais proativa na questão, porque mudou o cenário", relatou Pimentel. O ministro poderá ser escalado para chefiar uma das missões prévias que o governo brasileiro pretende fazer antes da visita de Dilma Rousseff à China, em abril. A presidente quer fazer uma visita de Estado, antes do encontro, em Xangai, com os governantes do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), com uma grande missão empresarial. Pimentel defende negociar com chineses "contrapartidas" para manter a abertura do mercado brasileiro.
"Não precisamos barrar (as importações chinesas), mas podemos colocar regras, contrapartidas", argumentou. Mostrando, na mesa de centro do gabinete, um catálogo com mais de 600 páginas entregue a ele pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), ele compara preços de venda de variados bens de capital, de acordo com o país de produção, e classifica de "problema grave" os baixos preços chineses, bem inferiores à média mundial. "Moldes para borracha ou plástico, valor médio, US$ 33,56 o quilo; na China, US$ 13", lê. "Máquinas e aparelhos de prensagem de metais, valor médio: US$ 85; valor na China: US$ 9", prossegue.
"Vou exagerar nas tintas, mas não é muito exagerado não: o mundo nunca enfrentou uma situação como essa", comentou, para explicar porque está "estupefato" com o cenário que encontrou, após 15 anos de carreira política, ao voltar para os assuntos econômicos, dos quais foi professor na Universidade Federal de Minas Gerais. Para Pimentel, o mundo reage com "timidez" ao novo fenômeno da emergência de uma China capaz de produzir uma variedade inédita de bens a preços mais baixos que os de outros países.
A presidente Dilma Rousseff "compartilha, em alguma medida" da visão de que há um novo "paradigma" no comércio internacional que exige novas regras internacionais, diz Pimentel, ministro escolhido na cota da própria Dilma, de quem é amigo desde os anos 70, quando participaram da luta armada contra o regime militar. A situação mundial em relação à superioridade chinesa é comparável a um transatlântico que aderna sem que os tripulantes percebam o perigo, afirma o ministro. "Quem está de fora, diz: o navio está afundando, ninguém percebe?"
Pimentel se compara a esse observador que vê um Titanic adernando para a catástrofe. "Você consegue imaginar a economia mundial organizada em torno de um país que produz mais barato que todos os outros conseguem produzir?", pergunta ele. "Eu não consigo." Lembrado que o modelo não é exclusivo da China, mas se estende por outros países asiáticos, Pimentel comentou que o modelo asiático se sustenta ainda nos baixos salários e condições de trabalho severas, não reproduzíveis "no resto do mundo". Ele defende que o Brasil se empenhe na mudança das regras internacionais de comércio, para adaptar o comércio global a essa realidade, permitindo um grau maior de proteção à produção nacional.
"Mas o ministério não muda as regras internacionais, vamos jogar segundo as regras e já estamos jogando", assegurou. Ele reconhece que há limites para a ação do governo, e que as empresas terão de fazer um esforço de aumento na própria competitividade. "Milagre não tem."
O governo quer "equalizar as condições de competição" entre os empresários que produzem no país e os fornecedores de produtos importados pelo Brasil, disse o ministro. Além da política "proativa" de defesa comercial, com ações contra produtos de peso no comércio exterior do país que possam ser acusados de competição desleal, o governo discute o conjunto de medidas para reduzir o custo Brasil, que, segundo Pimentel, terá, principalmente, redução de impostos sobre a produção e iniciativas para reduzir o custo burocrático para as empresas.
"Quero ver se, até março, estamos com tudo sendo e votado, encaminhado no Congresso", adiantou, ressalvando que esa é apenas uma expectativa dele. "A presidente não tem prazo. Ela não fará nada enquanto não tiver certeza econômica, jurídica, convicção e unidade dentro do governo para fazer."
Ele comentou que suas propostas não embutem nenhuma crítica à gestão anterior. O que houve foi uma "mudança de paradigma", de situação internacional, argumentou. "A situação não estava tão dramática quanto hoje, não tínhamos um período de taxa de câmbio tão ruim do ponto de vista das exportações."
